Por que a VidCon deveria estar no radar dos profissionais de marketing (e não Cannes)?

Por que a VidCon deveria estar no radar dos profissionais de marketing (e não Cannes)?

Quando estava em Los Angeles para a VidCon 2017, recebi um link de um artigo publicado no Adweek que explicava alguns motivos para que os profissionais de marketing fossem à VidCon em vez de ir ao Festival Cannes Lions, que aconteceu na mesma semana.

O artigo escrito por Joshua Lowcock, Chief Digital & Innovation Officer da UM Worldwide, diz que a indústria da publicidade se orgulha de sua capacidade de explorar a cultura popular.

“Agências, marcas e anunciantes fazem tudo o que podem para pesquisar, participar e se apoiar em momentos culturais; é o que nos permite encontrar novos insights culturais para produzir o tipo de trabalho que transcende a publicidade e impulsiona a cultura. Por causa disso, é seguro dizer que, como uma indústria, estamos olhando para fora, para nossa inspiração, não para dentro.” 
Joshua Lowcock, UM Worldwide

E esse é o ponto de partida para estimular o debate sobre os dois eventos. Passei alguns anos cobrindo o Festival de Criatividade Cannes Lions, um evento que prestigia o trabalho (real ou fantasma) de profissionais da nossa indústria de comunicação. Mas o evento se desgastou por diversos motivos: o discurso voltado para si, egocêntrico, a falta de diversidade nos debates, nos premiados e na plateia. A extensa lista de cases premiados que dialogam contra as mudanças culturais de todo o mundo, é só lembrar que em 2016 uma agência brasileira ganhou um leão de bronze usando um discurso de violação de privacidade. (que a gente fez devolver <3)

E se olharmos para todos esses sinais de desgaste, o evento até tem tentado estimular mudanças como em 2015 quando lançou o Glass Lion, categoria para premiar campanhas que estejam quebrando os estereótipos de gênero e mesmo em 2018 quando abriu o palco para que os profissionais pudessem inscrever suas apresentações. Mesmo com essas (e outras) iniciativas, Cannes ainda se prende ao culto do rosé na Reviera Francesa e se exclui por uma semana em uma bolha que não representa mais a indústria criativa que tem na cultura popular sua maior inspiração.

Cannes é feito para criativos. A VidCon é feita com, por e para criadores e todo o seu ecossistema.

A VidCon é o oposto de tudo o que existe em Cannes. Pode passar despercebida no calendário dos profissionais de marketing por ser considerada uma conferência de vídeo online (a maior do mundo, aliás), mas o que não está visível para quem não vive o mercado de comunicação digital é que a VidCon não é só um indicador do futuro do vídeo online, mas também do futuro da narrativa digital, da mudança do storytelling tradicional que atua em mão única de “contar histórias” para narrativas coletivas.

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As diferenças começam pela diversidade nos palcos e no público. O público é formado por toda a diversidade presente na internet: de CEOS, VPs das maiores empresas dessa indústria até os adolescentes de 13 anos que consomem o conteúdo dos criadores. Por falar neles, é o evento onde eu mais assisti debates e apresentações feitas por CRIADORES e não por CRIATIVOS.

Criativos de agências são como animais em cativeiro, criam em ambiente controlado, com riscos planejados e uma bela verba de mídia. Criadores estão em seu habitat natural convivendo diariamente com todas as mudanças (que não são poucas) desse ecossistema tão vibrante que é a comunicação digital.

Diversidade é ordem também entre os palestrantes da VidCon 2018. Segundo entrevista para a VarietyJim Louderback disse que dos palestrantes desse ano 50% são mulheres e 40% são multiculturais. A VidCon é referência em diversidade nos palcos para os eventos de comunicação porque nasceu das mídias sociais e sabe a diferença que novas vozes fazem para um mercado.

Outra diferença que abre ainda mais a distância entre criadores e criativos é a celebração do coletivo. A VidCon não existiria sem a coletividade, sem os milhares de fandoms, sem a interatividade que o evento permite entre criadores e seus fãs. Quando você participa disso, você passa a dar outro significado para a indústria que você atua, vai por mim.

A VidCon 2018 começa dia 20 de junho e se você não pode ir nem para Cannes e nem para Los Angeles, a cobertura da VidCon você poderá acompanhar aqui no site e também nos canais sociais do PASSA dos 30, que terá conteúdo especial para quem é adulto e quer começar a trabalhar nessa indústria criativa complexa que vivemos. Se não puder acompanhar em tempo real, se cadastre na newsletter nesse link, que você receberá por e-mail.
passa na vidcon

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